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História - José Relvas “o motor” do 5 de Outubro PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 13 Agosto 2008 23:36
Indíce do artigo
História
Memórias paroquiais
Alpiarça na literatura
Alpiarça a concelho
Alpiarça e as invasões francesas
A guerrilha de Alpiarça
José Relvas chega a Alpiarça
José Relvas “o motor” do 5 de Outubro
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José Relvas “o motor” do 5 de Outubro

A figura de José Relvas torna-se, como vimos, incontornável no seio do Partido Republicano e essa importância torna-se mais visível, em termos políticos, durante o Congresso realizado em 1909 na cidade de Setúbal, e que viria a ser determinante para o futuro do país. Nesta reunião magna do Partido perfilam-se duas correntes de opiniões sobre o modo de acabar com a monarquia, uma defendendo a via eleitoral e pacifica, protagonizada por Afonso Costa e Bernardino Machado e a outra que achava que a monarquia só poderia cair pela via revolucionária armada, teoria defendida por José Relvas e Eusébio Leão, entre outros. Aliás, Relvas, apesar de homem cordato, um verdadeiro “gentleman”, “sempre alinhou na ala mais radical da política durante o período da propaganda republicana” . Foi esta última a tese que saiu vencedora, o que leva Relvas e os seus apoiantes a tomar em mãos o Directório do Partido Republicano. Como tarefa prioritária da sua acção estava a organização da ansiada revolução. A José Relvas seria ainda confiada a espinhosa tarefa de, juntamente com Magalhães Lima, realizar uma viagem a França e Inglaterra, para junto do poder político e financeiro desses países, explicar o programa do Partido Republicano e solicitar o seu apoio às mudanças que este partido pretendia operar em Portugal. Foi uma viagem que teve êxito nos seus objectivos e que seria fundamental para credibilizar o novo regime.
Localmente José Relvas arregimenta alguns dos seus amigos de Alpiarça, que são fiéis seguidores das suas ideias, nomeadamente Ricardo Durão e Manuel Duarte e convoca-os para a batalha final. Seria com efeito este trio de ilustres Alpiarcenses, juntamente com outros elementos do Directório do Partido Republicano, que estiveram vigilantes durante toda a noite de 4 para 5 de Outubro, primeiros nos “Banhos de Sº Paulo” e depois no Hotel Europa, por cima dos Grandes Armazéns do Chiado, organizando politicamente a insurreição que terminaria com a monarquia. Seria também este grupo de alpiarcenses, passados 3 anos, os protagonistas da elevação da vila de Alpiarça a concelho, fruto da importância e da influência política granjeadas nestes anos agitados da revolução.
A revolução vingara. Os tempos eram de mudança, não só para o país, mas também para a vila de Alpiarça. Estava já em preparação a independência da freguesia de Alpiarça em relação ao concelho de Almeirim.
Com a passagem do Dr. Guilherme Nunes Godinho de Presidente da Câmara para Administrador do Concelho de Almeirim, é o Dr. Ricardo Durão que ocupa a presidência da mesma, continuando Manuel Duarte a ocupar o seu posto de vereador, enquanto que nos corredores da Assembleia da República se começa a preparar a formação do novo concelho. Em 1913 os vereadores eleitos por Alpiarça, José Maria Leal e Joaquim Lima Coito Calado, já não ocupam os cargos para que foram eleitos, significando com as suas ausencias permanentes, que o cordão umbelical estava para ser cortado muito em breve.
Em 2 de Abril de 1914 era assinado o decreto que elevava a freguesia de Alpiarça a concelho. A influência de José Relvas neste processo foi notória, já que os deputados se recusavam a fazê-lo com a argumentação de que estava em estudo um novo Código Administrativo e que o argumento utilizado de que as duas terras não viviam em harmonia, não era razão para se criar um novo concelho. A criação do concelho estava em perigo, quando, em última instância, José Relvas se levanta do seu lugar e pronuncia um discurso vibrante, argumentando com a capacidade financeira de Alpiarça para ser merecedora da sua elevação a concelho. E foi o que aconteceu.
O futuro faria de Relvas uma das pessoas mais influentes na vida política da 1ª República, com uma entrega notável e desinteressada, devotando-se à vida pública unicamente por convicção. Foi Ministro das Finanças, candidato a Presidente da Republica, Embaixador e Chefe do Ministério, como mais à frente haveremos nos referir.

(Extractos do Livro “Gente de Outro Ver” de José João Pais)


atualizado em Terça, 26 Agosto 2008 22:48