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História - Memórias paroquiais PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 13 Agosto 2008 23:36
Indíce do artigo
História
Memórias paroquiais
Alpiarça na literatura
Alpiarça a concelho
Alpiarça e as invasões francesas
A guerrilha de Alpiarça
José Relvas chega a Alpiarça
José Relvas “o motor” do 5 de Outubro
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Memórias paroquiais

Não querendo, nem podendo, fazer estudos aprofundados sobre documentos antigos, não queria, no entanto, de deixar de fazer menção mais detalhada a um manuscrito conhecido por Memórias Paroquiais de 1758 onde aparece vasta citação sobre Alpiarça. Naquele documento revela-se a existência de um núcleo urbano já bem consolidado, onde viviam cerca de mil pessoas e onde sobressaía a igreja devotada a Santo Eustáquio, rodeada de casas, e dizendo-se claramente que esta terra nunca conheceu outro nome que não fosse o de Alpiarça. Dessas memórias, que se encontram arquivadas na Torre do Tombo em Lisboa, aqui deixamos alguns extractos, chamando a particular atenção dos leitores para as referências à Gouxa, Gouxaria e também à Lagoalva.
 
“Esta terra está situada no termo da vila de Santarém, é freguesia anexa à Igreja de Sta Iria e de Santa Cruz, da Vila de Santarém.
É Del-Rei este lugar.
Tem 311 fogos com os quais tem novecentos e trinta pessoas maiores.
Está situada em campina e de lá se descobre a vila de Santarém a cuja tem a distância de uma légua e pode-se comunicar com a vila de Santarém, passando o Tejo. Também de lá se avistam as torres da vila de Almeirim, no termo da vila de Santarém.
Tem três quintas fora do lugar: Uma chama-se a Goucharia, é do Marquês de Fronteira, a qual tem 29 vizinhos; tem outra quinta chamada a Goucha, esta é dos religiosos da “Graça”, da vila de Santarém, tem 10 moradores; tem outra chamada da Lagoalva, esta é da Exma Senhora Condessa do Rio Grande e tem seis moradores. A paróquia está situada fora do coração do lugar, porém rodeada de casas.
O seu orago é Santo Eustáquio, tem cinco altares: o altar-mor está colocado nele o Santíssimo Sacramento, os dois colaterais, um é de Nossa Senhora do Rosário, o outro é de Sam Sebastiam.
O pároco é cura apresentado da Real Collegiada da Vila de Santarém…
Tem três ermidas: Uma na quinta da Lagoalva, da Exma Condessa de Rio Grande, orago de Nossa Senhora dos Prazeres, algumas romagens tem de gente da terra. Tem outra ermida na quinta das Religiosas da Graça, orago Nossa Senhora da Graça; tem outra em uma quinta que foi de Dom Brás da Silveira, o seu orago é Sam Caetano, está destruída, já se não diz missa nela. Tem dois oratórios particulares com casas altas, um na quinta do Exmo Marquês de Fronteira, o seu orago é Sam Sebastiam; outro numas casas de José Valadares, um cavalheiro do hábito de Cristo, o seu orago é a Senhora Santa Ana.
 
As outras ermidas não são de romagens.
 
Não é couto nem cabeça de concelho.
Não há memória que nesta terra houvesse homens com falsas virtudes, nem armas.
Não tem feira.
Não tem correio.
Não tem previlégios.
 
Tem uma fonte junto ao lugar, mas não é de especialidade nenhuma.
Não padeceu grande ruína no terramoto (1755), só abriram em algumas casas algumas rachas, porém não caíram.
Tem esta freguesia uma légua de comprido e quasi outra de largo.
Sempre conservou o nome de Alpiarça, nem há memória que tivesse outro…”
 
 
Vamos assim encontrando ao longo dos anos algumas pistas que nos confirmam a existência de Alpiarça, primeiro como lugar de passagem, a que não será alheio o facto de aqui haver uma ponte, como também se situar na sua área um dos principais portos de barcas de passagem do Tejo, como era o caso do “porto do Patacam”; posteriormente, a partir de meados do século XVI, com a criação da paróquia, nota-se a consolidação de um aglomerado populacional já com alguma dimensão para os parâmetros da época e que não parou de crescer até meados do século XX.
 
atualizado em Terça, 26 Agosto 2008 22:48